geração beat VI

A poesia marginal de Ginsberg

Outro importante autor beat, é o poeta Allen Ginsberg, que em sua obra, igualmente procurou resgatar a ligação entre a poesia e a vida, afirmando a sua individualidade criadora através de poemas em primeira pessoa e se utilizando de acontecimentos reais como matéria prima. Buscou uma comunicação direta com a expressividade intrínseca à poesia de Rimbaud, Whitman e os românticos.

Gregory Corso

Um traço da obra de Ginsberg que ainda hoje é desprezada, é a intensa pesquisa sobre a qual ela se estrutura, tornando sua poesia uma legítima herdeira dos experimentalismos vanguardistas da primeira metade do século XX. Estabeleceu uma ligação entre os movimentos europeus de vanguarda, destacadamente o surrealismo, e a literatura modernista norte-americana de Ezra Pound, Gertrude Stein e William Carlos Williams, efetuando assim uma importante atualização da criação literária norte-americana. Ao contrário das descrições de Ginsberg como um representante do  espontaneísmo inculto, mas expressivo da poesia; lendo sua obra é possível encontrar ecos dos mais diversos vanguardismos, como o futurismo de Maiakovski, o cubismo de Apollinaire, o dadaísmo de Schwitters e o surrealismo de Artaud. Incorporou tanbém a influência dos hai-kais orientais, além de Garcia Lorca, Hart Crane, o fluxo de consciência de Joyce, Stein e o objetivismo de Williams.
Sua obra máxima, “O Uivo” se tornou, ao lado de “On The Road”, um emblema da produção literária beatnik. É

Frank O´Hara

o mais expressivo manifesto dessa geração, cuja inovação temática de exaltação ao estilo de vida marginal, o uso de drogas e a sexualidade liberal; aliadas às suas inovações formais, demonstram a grande importância do poema. Suas primeiras linhas são ontológicas: “Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, /arrastando-se pelas ruas do bairro negro em busca de uma dose violenta de qualquer coisa, /hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato com o dínamo estrelado da maquinaria da noite/ que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz…”
Seu ritmo veloz e escrita altamente fluída remetem à intensidade das experiências narradas, influenciado diretamente pela “prosódia bop espontânea” de Kerouac. Assim como os demais beats, Ginsberg considerava que o único fermento para a criação era a entrega total a uma vida marginal intensamente vivida e a aceitação das experiências mais miseráveis como “necessárias para o processo de purificação da existência”.  Seu poema chegou a sofrer uma tentativa de censura, e após sua publicação em 1956, seu editor, sofreu um processo por pornografia.
Depois de sua faze heróica durante os ano 40 e 50, Ginsberg ainda participou ativamente das mobilizações dos anos 60 época em que se manteve ainda uma figura popular, freqüentemente presente em eventos hippies declamando seus poemas ao lado de outros poetas beats. Ao lado de Thimoty Leary ajudou a divulgar os “benefícios do LSD”, além de sua participação em uma série de protestos pacifistas contra a Guerra de Vietnã.

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