geração beatnik IV

Em busca de um “novo olhar”

Daí vem a identificação desses jovens com o termo beatnik, cuja origem é confusa. A palavra beat foi utilizada pela primeira vez por Jack Kerouac no livro “On The Road”, como abreviação de beatitude, ou beatífico, remetendo ao estado de espírito que ele e seus companheiros

Allen Ginsberg

buscavam. Outros, principalmente críticos literários e estudosos, atribuíram o termo à infuência direta do jazz, responsável por diversos termos e gírias surgidos na contra-cultura da época, assim, beat remeteria às batidas aceleradas do bebop. Outra possibilidade seria a conotação de “vencido pela vida”, de acordo com gírias como “dead-beat” ou “beat-up”. Daí, unindo-se o radical “beat” com o sufixo do satélite russo Sputnick, fora lançado ao espaço em 1957, com uma conotação de movimento,velocidade, surgiu o termo beatnik, que seria usado para designar todos os seguidores do movimento. Também algumas  vezes eram denominados hipsters, termo aplicado às pessoas que viviam à margem da sociedade, em geral delinqüentes juvenis, usuários de drogas e brancos que se relacionavam mais intimamente com a cultura negra. Uma corruptela dessa palavra deu origem ao famoso termo “hippie”, para designar os jovens da contra-cultura dos anos 60. No entanto, todas essas variações se relacionam diretamente com o conceito geral do que é na essência a geração beat, e que exprime o desalento e o frenesi de uma vida dissoluta, que procurava através das viagens e da boemia, uma alternativa ao que eles consideravam uma ausência de vida da classe média norte-americana. O termo beat também significaria “perceptivo”, “de olhos abertos”, justamente pela sua busca por uma “nova visão”, que na concepção deles só poderia ser alcançada através de uma vida marginalizada, fora dos esquemas tradicionais.
A fim de exprimir esse “novo olhar”, os beatniks também irão desenvolver uma nova forma de descrever sua maneira de ver o mundo. Essa nova forma teria necessariamente que estar em consonância com o sentido de deslocação e movimento que os animava. Em conseqüência, irão criar uma escrita fluída, frenética e impaciente, tentando apreender numa mesma passagem os diversos universos que os interessavam. Para isso irão buscar influências nas teorias surrealistas de fluxo espontâneo do pensamento, e inspiração nos enérgicos e intermináveis saltos

William Burroughs

harmônicos dos improvisos do bebop, a corrente mais progressista do jazz da época, representado pelo virtuosismo de personalidades como Charlie Parker, Max Roach, Bud Powell, Dizzy Gillespie e Thellonious Monk. O ritmo de jazz seria, segundo Kerouac, uma prova de esforço da livre associação das palavras “nadando num mar  de inglês sem qualquer outra disciplina à exceção do ritmo ou exaltação retórica e declamação de protesto.”. Daí a designação dos vários estilos literários dos beats, como “prosódia bop”, expressão que foi cunhada por Kerouac, e definida por Gregory Corso como “a utilização de misturas espontâneas, imagens surrealistas, saltos, batidas, compassos, longas e rápidas vogais, versos longo, muito longos, e a alma como principal conteúdo”.

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