“On The Road”: O surgimento de uma nova mentalidade
O interesse que o romance de Jack Kerouac despertou entre a juventude, só poderia ser explicado do ponto de vista social, como um reflexo da modificação de postura de uma parcela da população perante o convencionalismo extremado e do moralismo quase vitoriano que ainda imperava na sociedade. Diversos setores, especialmente entre a juventude,
Fugindo dos ideais de vida do sonho americano, os beats pregavam um estilo de vida aventureiro, e realizaram uma série de viagens dura
já manifestavam um forte desprezo pelos ideais insossos do sonho americano, e esse descontentamento encontrará sua expressão mais acabada entre os jovens beatniks. Negando os moldes da vida convencional, os beats se entregam a um estilo de vida que o “american way of life” não poderia comportar, e em sua ânsia por mudanças, promoveram uma ruptura não apenas dentro da literatura, mas também na própria postura de encarar a vida e a maneira de vivê-la. Nesse sentido, On The Road, apresentava uma alternativa ao modo de vida tradicional, e propunha um rompimento com ele, que na visão dos beats, deveria ser feito através da entrega completa a uma vida marginalizada e romântica, que incluía viagens pelo Oeste americano e a busca por uma nova maneira de compreender a vida através de um misticismo não muito definido. Essa nova moral é expressa no romance por uma modificação em termos de conteúdo.
O herói do livro é Dean Moriarty (personagem inspirado em Neal Cassady), um jovem marginalizado, preso diversas vezes por roubos de carros, bebedeira e vadiagem, que arruma uma série de sub-empregos para sustentar seu estilo de vida boêmio e desgarrado. Moriary é um jovem rebelde e apaixonado pela vida, que ao lado de Sal Paradise (alter ego de Kerouac), embarca em uma série de viagens de carona através da América, sempre em busca da beleza no mundo, exaltando a “pureza” inerente que ele via na população pobre do país.
Os escritores beatnicks Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Peter Orlovsky e seu irmão Lafcadio Orlovsky, e Gregory Corso em fé 1956
Essa identificação com figuras marginais se tornaria o eixo central da literatura beat. Kerouac era fascinado pelos vagabundos e andarilhos que atravessavam o país em trens de carga; Ginsberg era atraído por homossexuais, delinqüentes e incompreendidos em geral; Burroughs, por sua vez, vivia entre criminosos e viciados. Na visão dos beats, os párias da sociedade conheciam alguma verdade a respeito da existência que normalmente ficava encoberta pela formalidade dos valores sociais. Eles acreditavam que arrancando essa embalagem civilizada, a verdade viria à tona. Segundo os beats, as pessoas seriam essencialmente puras, “santificadas”, e que acabaram corrompidas pelo trato social, mas poderiam ainda ser salvas e redescobrir a sua natureza original se desfazendo de todos os artifícios da vida civilizada e “bem comportada”, e retornando ao básico. Algo parecido seria feito quase trinta anos depois pelo movimento punk.
A partir daí, na contracorrente do otimismo, os beatniks desencadearam um dos maiores fenômenos culturais da segunda metade do século, que culminaria com a explosão das movimentações revolucionárias dos anos 60 e 70. Pode-se dizer que foram o primeiro sintoma, manifestado por uma pequena boemia, do descontentamento geral que levaria às mobilizações dos anos posteriores, mas que já estavam latentes no interior da sociedade norte-americana dos anos 50.
Jack Kerouac
Um precursor literário dos escritores beats, certamente é o norte americano Henry Miller, que começou a escrever na década de 30. Desde essa época, sua escrita se caracteriza pela crítica aos valores da pequena burguesia e a abordagem inovadora de temas, como liberalidades sexuais e uso de drogas, com a presença constante de personagens marginais e anti-heróis, ressaltando freqüentemente o aspecto grotesco em suas personalidades. Outra característica em comum nas duas literaturas é o misticismo indefinido e o interesse pelas filosofias orientais. De seus livros, o que estabelece a relação mais clara com a literatura beatnik, é “O Pesadelo com Ar Condicionado” (1945), que narra à exemplo de “On The Road” uma série de viagens feitas pelos Estados Unidos entre 1940 e 1945, cujo eixo central é a crítica aberta ao estilo de vida da classe média, e a partir daí, sua busca por uma “outra América”. Fica claro seu repúdio pelo moralismo americano pelo fato de suas obras terem permanecido censuradas no país por quase 30 anos, devido ao conteúdo sexual das obras, inclusive seu livro mais importante, “Tropico de Câncer”, que só foi publicado no país em 1961.
Miller, ao contrário dos beats, ao invés de se entregar a uma vida de andarilho viajante nos Estados Unidos, prefere ir mendigar nas ruas de Paris, lugar onde concebe a parte mais significativa de sua obra.
“On The Road”: O surgimento de uma nova mentalidade
O interesse que o romance de Jack Kerouac despertou entre a juventude, só poderia ser explicado do ponto de vista social, como um reflexo da modificação de postura de uma parcela da população perante o convencionalismo extremado e do moralismo quase vitoriano que ainda imperava na sociedade. Diversos setores, especialmente entre a juventude, já manifestavam um forte desprezo pelos ideais insossos do sonho americano, e

Fugindo dos ideais de vida do sonho americano, os beats pregavam um estilo de vida aventureiro, e realizaram uma série de viagens dura
esse descontentamento encontrará sua expressão mais acabada entre os jovens beatniks. Negando os moldes da vida convencional, os beats se entregam a um estilo de vida que o “american way of life” não poderia comportar, e em sua ânsia por mudanças, promoveram uma ruptura não apenas dentro da literatura, mas também na própria postura de encarar a vida e a maneira de vivê-la. Nesse sentido, On The Road, apresentava uma alternativa ao modo de vida tradicional, e propunha um rompimento com ele, que na visão dos beats, deveria ser feito através da entrega completa a uma vida marginalizada e romântica, que incluía viagens pelo Oeste americano e a busca por uma nova maneira de compreender a vida através de um misticismo não muito definido. Essa nova moral é expressa no romance por uma modificação em termos de conteúdo.
O herói do livro é Dean Moriarty (personagem inspirado em Neal Cassady), um jovem marginalizado, preso diversas vezes por roubos de carros, bebedeira e vadiagem, que arruma uma série de sub-empregos para sustentar seu estilo de vida boêmio e desgarrado. Moriary é um jovem rebelde e apaixonado pela vida, que ao lado de Sal Paradise (alter ego de Kerouac), embarca em uma série de viagens de carona através da América, sempre em busca da beleza no mundo, exaltando a “pureza” inerente que ele via na população pobre do país.

Os escritores beatnicks Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Peter Orlovsky e seu irmão Lafcadio Orlovsky, e Gregory Corso em fé 1956
Essa identificação com figuras marginais se tornaria o eixo central da literatura beat. Kerouac era fascinado pelos vagabundos e andarilhos que atravessavam o país em trens de carga; Ginsberg era atraído por homossexuais, delinqüentes e incompreendidos em geral; Burroughs, por sua vez, vivia entre criminosos e viciados. Na visão dos beats, os párias da sociedade conheciam alguma verdade a respeito da existência que normalmente ficava encoberta pela formalidade dos valores sociais. Eles acreditavam que arrancando essa embalagem civilizada, a verdade viria à tona. Segundo os beats, as pessoas seriam essencialmente puras, “santificadas”, e que acabaram corrompidas pelo trato social, mas poderiam ainda ser salvas e redescobrir a sua natureza original se desfazendo de todos os artifícios da vida civilizada e “bem comportada”, e retornando ao básico. Algo parecido seria feito quase trinta anos depois pelo movimento punk.
A partir daí, na contracorrente do otimismo, os beatniks desencadearam um dos maiores fenômenos culturais da segunda metade do século, que culminaria com a explosão das movimentações revolucionárias dos anos 60 e 70. Pode-se dizer que foram o primeiro sintoma, manifestado por uma pequena boemia, do descontentamento geral que levaria às mobilizações dos anos posteriores, mas que já estavam latentes no interior da sociedade norte-americana dos anos 50.
Um precursor literário dos escritores beats, certamente é o norte americano

Jack Kerouac
Henry Miller, que começou a escrever na década de 30. Desde essa época, sua escrita se caracteriza pela crítica aos valores da pequena burguesia e a abordagem inovadora de temas, como liberalidades sexuais e uso de drogas, com a presença constante de personagens marginais e anti-heróis, ressaltando freqüentemente o aspecto grotesco em suas personalidades. Outra característica em comum nas duas literaturas é o misticismo indefinido e o interesse pelas filosofias orientais. De seus livros, o que estabelece a relação mais clara com a literatura beatnik, é “O Pesadelo com Ar Condicionado” (1945), que narra à exemplo de “On The Road” uma série de viagens feitas pelos Estados Unidos entre 1940 e 1945, cujo eixo central é a crítica aberta ao estilo de vida da classe média, e a partir daí, sua busca por uma “outra América”. Fica claro seu repúdio pelo moralismo americano pelo fato de suas obras terem permanecido censuradas no país por quase 30 anos, devido ao conteúdo sexual das obras, inclusive seu livro mais importante, “Tropico de Câncer”, que só foi publicado no país em 1961.
Miller, ao contrário dos beats, ao invés de se entregar a uma vida de andarilho viajante nos Estados Unidos, prefere ir mendigar nas ruas de Paris, lugar onde concebe a parte mais significativa de sua obra.